Pequeno discurso que se mistura ao
trajeto
Creiamos senhoras e
senhores que aqui, presentes, estão pessoas, que se abriram, como que em uma
dissecação. E muito ao contrário, não estão mortos. A vida aqui é o primeiro
requisito. Suas potências e suas verdades. Os artifícios são meras ferramentas
que o próprio corpo utiliza para que construa seu mundo. De acordo com Oliver
Sacks, temos sempre dois universos de discurso – você pode chamá-los “físico” e
“fenomênico”, ou como quiser -, um relativo às questões de estrutura
quantitativa e formal, o outro às qualidades que constituem um “mundo”.
O mundo não gira em torno
da normalidade, o nivelamento está fora de questão. Cada corpo, cada camada é elementar.
A diversidade de figuras aumenta a oscilação entre ficção e realidade. Estas
oposições promovem a violência que é o lascar de uma rocha, de uma epilepsia, dos
músculos que agem sem o controle intelectual, das histórias que escolhem as
pessoas, das doenças que possuem pessoas... Esse mundo se constitui de fragmentos
de pequenas panes e da sutil violência que é conhecer o humano em todos os seus
aspectos.
Kátia Maffi
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