sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

texto de Kátia Maffi


Pequeno discurso que se mistura ao trajeto




Creiamos senhoras e senhores que aqui, presentes, estão pessoas, que se abriram, como que em uma dissecação. E muito ao contrário, não estão mortos. A vida aqui é o primeiro requisito. Suas potências e suas verdades. Os artifícios são meras ferramentas que o próprio corpo utiliza para que construa seu mundo. De acordo com Oliver Sacks, temos sempre dois universos de discurso – você pode chamá-los “físico” e “fenomênico”, ou como quiser -, um relativo às questões de estrutura quantitativa e formal, o outro às qualidades que constituem um “mundo”.
O mundo não gira em torno da normalidade, o nivelamento está fora de questão. Cada corpo, cada camada é elementar. A diversidade de figuras aumenta a oscilação entre ficção e realidade. Estas oposições promovem a violência que é o lascar de uma rocha, de uma epilepsia, dos músculos que agem sem o controle intelectual, das histórias que escolhem as pessoas, das doenças que possuem pessoas... Esse mundo se constitui de fragmentos de pequenas panes e da sutil violência que é conhecer o humano em todos os seus aspectos. 

Kátia Maffi

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