Antes do procedimento:
Você deve estar com o estômago
vazio, em jejum, antes do exame.
Sinta-se à vontade para retirar
peças de roupa ou acessórios que eventualmente possam incomodá-lo, como óculos,
dentadura, gravata, paletó, ou joias.
Um spray anestésico será espirrado
em sua garganta, para facilitar a passagem, e para que possa relaxar.
Evite engolir a saliva durante o exame.
Apenas deixe o aparelho passar lentamente pela garganta.
O tubo é comprido, fino e
flexível e possui uma lâmpada e uma câmera de vídeo minúscula em sua ponta. A
câmera transmite a imagem para um monitor.
Preparem-se: É chegada a hora de
ver as mulheres, os homens, e os seus bichos.
Nosso trajeto se inicia pela boca.
Vemos lábios, língua, dentes, palato, úvula, amígdalas... O ambiente é húmido e
insalubre. Delicadamente, cuidadosamente, vagarosamente nossa câmera captura
alguns sons e imagens: Uma mulher com a cabeça ruidosa e uma bela canção na
estação de rádio “Minhas músicas Irlandesas”. Uma dose de água, e células
capilares em constante agitação. Alguns segundos depois, nossa câmera detecta
um tremor: Um Deus impessoal, trajado de fogo e chapéu se levanta; as
fervorosas almas ao seu redor escutam os seus dizeres. Amém, Glória, Larôie,
Eparreia oiá! Glória! Glória! Alô? Oi? Alô? Alguma conexão?
A cabeça quase explode.
Vagarosamente, cuidadosamente,
cautelosamente, sutilmente nossa câmera continua seu trajeto passando pelo
esôfago- uma atiradora de facas tenta impedir nosso caminho nesta parte. Nossa
câmera teve alguns problemas neste canal, e entre os nervos é possível
visualizar uma criatura estranha, e mais três elementos que não nos parecem
possível nominar. Ouvimos ruídos de ratos também, mas não é possível ser
preciso neste dado.
Uma série de contrações
involuntárias nos permite continuar. Caminhamos com nossa câmera até o lado
esquerdo da cavidade abdominal e abaixo das últimas costelas encontramos o
estômago- estamos quase no destino de nosso trajeto. A região parece ter sido
sedada em demasia. Algo está errado. Uma mulher parece estar sonhando, ou então,
vemos de verdade os acontecimentos que se seguem: uma tarada, gritos, assobios,
estalos, transformação, macacos, e um homem morto e estilhaçado.
Atenção senhoras e senhores,
chegamos finalmente ao duodeno. Aqui está nossa úlcera. A imagem capturada na
câmera é de sangramento e perfurações no local, pois uma mulher vomita pessoas
initerruptamente. Não se sabe onde ela está. O sangramento no local é
excessivo, há gemidos de dor e feições de prostração por toda parte.
Atenção. Atenção. Atenção.
Perdemos o controle aqui.
Atenção.
A câmera se obstruiu em uma das pregas. Perdemos a imagem.
OBS: Você será observado até o efeito da
medicação desaparecer. Você pode ficar com a garganta dolorida e inchada. Depois
do procedimento recomenda-se que você seja acompanhado de volta para casa.
Juliana do Espírito Santo
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