sábado, 23 de maio de 2015

1ª Temporada " Um discurso para a minha avó" no T.O.U.- Teatro vai até o dia 31

Ontem, dia 22 de maio, teve início a primeira temporada do espetáculo teatral " Um discurso para a minha avó" no T.O.U.-Teatro, as apresentações seguem nos dias 23,24,29.30, e 31, sempre às 20:30.
Os ingressos são limitados a 35 lugares, por este motivo recomenda-se chegar cedo, a bilheteria está aberta a partir das 19:30.
Esta primeira temporada do espetáculo " Um discurso para a minha avó" , que continua no mês de julho, com apresentações especiais para a AME- Associação Mãos Estendidas e para o CAPS -Centro de Apoio Psicossocial, tem o patrocínio do PROMIC, programa municipal de incentivo à cultura.



Onde: T.O.U.-Teatro, Rua Rio Grande do Sul, nº 75, Centro, Londrina-PR
Pontos de Referência: Em frente ao supermercado Condor, e próximo ao Sesc Cadeião Cultural
Ingresso: 10 inteira, e 5 meia ( todas as pessoas beneficiadas por lei e a classe artística)



***


O negro dos meus olhos e o negro do buraco se fundem
Ancestral identificação
Aterrissar a sola das mãos no chão infinito
Subterrânea escavação
Ossos grudados às paredes
Aterram os pedidos
Guardam as moedas esperançosas
Do fundo que afunda o olho
Para dentro do precipício
Sedução na margem do prédio
Os cabelos envenenados
Pela escuridão que sobe e empoeira os fios
Gradativamente me retingindo
Ainda mais pantera nesta noite
Os olhos mortos para falecer a imagem
O olhar vivo para matar minha presa
O tempo
O tempo percorre agora meus contornos
Me anoiteço por inteira
Sou um átomo parido em segredo
No sussurro rouco da garganta
Na ágil lágrima que escorre
Na rotação cor de raio que me amedronta
E empurra meu coração ladeira a baixo
                                                                      Madeira que grita ao cair no chão



sábado, 18 de abril de 2015

Londrina em Cena: Um discurso para a minha avó

"Um discurso para a minha avó" no Londrina em Cena do Sesc Cadeião Cultural, dias 24 e 25 de abril, às 20 horas!!!


Um discurso para a minha avó








Juliana do Espírito Santo - Estúpida Cia. de Teatro - Londrina PR
50 minutos | 16 anos
Dias 24 (sex.) e 25 (sáb.) de abril de 2015, 20h na Sala de Espetáculos.
Investimento: R$20,00 (estudantes e idosos acima de 60 anos pagam meia).
*** Ingresso cortesia para usuários do Sesc categoria comerciário e dependente, mediante apresentação do
Cartão Cliente Sesc atualizado e válido.



Ficha Técnica


Direção, atuação e dramaturgia: Juliana do Espírito Santo 
Produção Executiva: T.O.U.- Teatro
Produção Local: Rafaela Solé 
Desenho de luz: Camila Fontes e Guilherme Mantovani 
Sonoplastia: Ércole Martinele e Juliana do Espírito Santo 
Operação de som e de luz: Lucas de Almeida Pinheiro


** Créditos da foto: Camila Fontes



Sinopse


Uma mulher cava um buraco 
Na parede carcomida 
A ossatura relampeja agonia 
O molhado das infiltrações fumega o corpo da mulher 
Ali começa a sua busca




O espetáculo "Um discurso para a minha avó" nasce a partir da vontade de entender as tensões entre a lembrança e o esquecimento, trabalhadas a partir de dois pontos específicos que são interligados: a lembrança de uma velha, D. Maria, e a de sua casa. Este trabalho se assume a partir do reconhecimento da incompreensão do passado e do desconhecimento do discurso de seus sujeitos e de suas dores, pois nesta investida encontra-se em primeira instância a fala que foi coibida, usurpada, e selada pela vida, e que por isto não perdurou para as próximas gerações. “Um discurso para minha avó”, portanto, é a invenção do timbre, do acento, ou do alcance de uma voz desterrada. A voz que migrou por toda vida pode quem sabe aqui descansar em alguma boca.


*** Os ingressos podem ser adquiridos antecipadamente no Sesc Cadeião Cultural, Rua Sergipe nº 52, Centro, Londrina-PR.

PUBLICAÇÕES

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Texto de Heloisa Bauab

O palco funcionando como extensão espaço-temporal do pensamento. Não da maneira como se deu no teatro expressionista, na extroversão de sentimentos de um “eu” tomado em plena crise. O palco, sim, tentando mimetizar o próprio funcionamento do cérebro e dando lugar a estados  alterados do ser. Essa foi a proposta de Thais D´Abronzo que trouxe para seu grupo os relatos clínicos do neurocientista Oliver Sacks. Este fala de pessoas com alguma deficiência neurológica e mostra sua luta corajosa para tornar a vida possível apesar de seu mal: todas essas pessoas  estão invariavelmente empenhadas em obter a cura, ou ao menos, a atenuação de seu sofrimento, ou então alguma forma de acomodação à chamada “vida normal”. E meu trabalho foi o de escrever certos textos para determinadas cenas, às vezes apenas adaptando o próprio texto de Sacks ou então sugerindo um conhecido fragmento de Beckett. Pude observar o trabalho visceral e extenuante dos atores e atrizes conduzidos pela mão decidida e exigente de Thais sempre os desafiando para que se superassem a cada ensaio, em todos os momentos (confesso que às vezes até tive pena deles!) Colocar-se integralmente no trabalho, concentrar todas as forças, selar um firme compromisso com todos os elementos do grupo, são estes os aspectos éticos de um estilo de trabalho no qual tive o privilégio e o prazer em participar.


Heloisa Bauab


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

texto-esquema de Guilherme Mantovani


texto de Mariana Pinhata


Era uma vez uma criatura sublime que vivia em uma casca grotesca. Gostava de observar a natureza, brincava com os pássaros (que dela, tinham medo), sentir o perfume das flores, era uma poesia viva, CONCRETA.
Capinha – Ela está em algum lugar, pra mim, pra eu poder brincar. É só observá-la um pouquinho, pegá-la com toda a delicadeza que eu posso ter e muito cuidado pra não estragar, pois essa capinha é extremamente delicada e, nada de errado pode acontecer... Mas eu sou errada, quer dizer... CUIDADO!
Agora, basta amarrar no pescoço e VOAR!
Observe, ela tem flores, é macia e gostosa, tem uma textura leve, leve demais!
Ahhhhhh, eu vou flutuarr.... não vou.. sou grotesca, grande e gorda mas eu danço!
Eu danço até muito bem ...
Tem alguém falando alguma coisa,  eu ouço algo além dos pássaros, da água... uma voz...lá de longe ou talvez não tão longe assim, SIM! Tem alguém falando alg...
RETARDADA, DÉBIL MENTAL, RIDÍCULA, TOLA, ESTÚPIDA!
PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII (aparelho de hospital)
Sinto uma fenda no espaço, um momento de “desaparecimento espiritual” onde o que fica é apenas o espaço talvez cheio como está ou até mesmo vazio!
Será vovó?
Ah, tudo volta ao normal, voltam tudo, voltam todos!
Volta o cheiro da primavera, o cheiro da água, as flores, as frutas, os pássaros, nascimento, crescimento, envelhecimento...
THE END.
Toda fábula traz uma moral da história, algo que justifique as palavras, porém esse fragmento não traz consigo moral alguma, nada que justifique, é apenas o que é.
Um homem pode ser intelectualmente muito “fraco”, incapaz de colocar uma chave na fechadura, muito menos de entender as leis de movimento newtonianas, totalmente incapaz de compreender o mundo como conceitos, e, no entanto, ser plenamente apto, e de fato ter talento, para entender o mundo como concretude, como “símbolos”. Esse é o outro lado, o outro lado quase sublime das criaturas singulares, dos talentos simplórios.

 Mariana Pinhata

texto de Bianca Beneduzi


Tiques de pensamento
- excesso de energia nervosa e uma grande produção de atitudes estranhas.
- abrir caminhos inesperados advindos da necessidade da canalização dessa energia.
- turbilhão, potência.
- caos da quase ação: desafio de encontrar onde estão alojados os apoios físicos e afetivos de um trabalho excessivamente sensível.
- processo convulsivo, impulsos de quebra e rompimento de padrões, combate e conflito.
- espelho oposto: desnudamento de uma figura oculta, escavação, desmembramento, aprofundar-se (ressonância involuntária).
- dinâmica que ultrapassa as barreiras do exercício e do corpo, criando energia que emerge do grupo como um coração pulsante.
- fisicamente o trabalho é muito intenso. Sinto meu corpo rasgar-se por dentro, fazendo mover engrenagens internas.
- os movimentos do grupo são como linhas que atravessam o corpo e o espaço, entrando e saindo por todos os lados, sustentando uma energia muito potente deste encontro.
- a força do grupo é tão potente que sem ela é como ser atravessada pelo vazio, uma ausência de movimento, sobra de espaço interno.
- o vazio, por outro lado, em determinados momentos, ganha espaço interno, espremendo movimentos escondidos, fazendo-os sair. O espaço se inverte de dentro para fora.
- o que move o sentido?
- nunca vai parar, soco de dentro para fora.
- ato de colocar-se inteiramente no presente, na proposta a ser trabalhada, jato de sensibilidade, habilidades, confusão de sistemas, impulsos que redefinem a pessoa.
- ação conjunta: memória, impulso, conhecimento e ato.
- Impulso e ação são coexistentes: o corpo desaparece, queima, e o espectador vê uma série de impulsos visíveis.

- definição revisitada de Montagem: a técnica de combinação de elementos em uma única composição pictórica proveniente de várias fontes, como partes de fotografias diferentes [imagens] ou fragmentos de impressão [impressões corporais]. Elementos que juntos estão interligados originalmente, mas o processo permite a cada elemento reter [respeito] sua identidade separada, como um espaço de individualidade e multiplicidade dentro da composição.
- Acredito no olhar. A contemplação é igualmente repleta de excessos uma vez que insistimos em ver alguma coisa. O mundo dos excessos exige um prolongamento do olhar para além daquilo que é aparentemente necessário, ou representa equilíbrio e estabilidade. Entre paradoxos de normalidade e aberração, o ponto de partida estará sempre nós, somos parte tanto em um, quanto no outro. O êxtase está presente em ambos. Sentir-se intensamente bem é perigoso, uma vez, que o que se sente em seguida, ou qualquer próximo passo arrisca a possibilidade de continuidade. È perigoso porque são assustadoras a perda e a brevidade.


Bianca Beneduzi

texto de Débora Mille


O mago revela-se para iniciar seu número.  Aqui e ali pontos de luz e som explodem, como pequenos fogos de artificio.
Ele rege cada um destes pequenos surtos de irrealidade.
Alucinações.
Delírios oníricos.
Pane.
Como você foi parar aí na minha cabeça?
Para além de formas palatáveis, digeríveis. Camadas de sentido se sobrepõem. Entre elas: o horror.
A visão científica contrastando com a visão humana. O corpo dissecado, as vísceras expostas. Demasiadamente humano. Demasiadamente bicho.
O animalesco em si, manifesta-se em sutilezas entre as energias distintas. Metamorfose. Horrendas maravilhas a dançar, a cortar o espaço. Animais acossados em seu próprio habitat, presos nos limites de sua própria carne. À espreita para o momento do ataque. De trespassar estas barreiras.
O eu transpondo as barreiras do físico e indo além desvelando o invisível. O que não está ali, mas também está. Quase se pode tocar o intangível.

Débora Mille