sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

texto de Bianca Beneduzi


Tiques de pensamento
- excesso de energia nervosa e uma grande produção de atitudes estranhas.
- abrir caminhos inesperados advindos da necessidade da canalização dessa energia.
- turbilhão, potência.
- caos da quase ação: desafio de encontrar onde estão alojados os apoios físicos e afetivos de um trabalho excessivamente sensível.
- processo convulsivo, impulsos de quebra e rompimento de padrões, combate e conflito.
- espelho oposto: desnudamento de uma figura oculta, escavação, desmembramento, aprofundar-se (ressonância involuntária).
- dinâmica que ultrapassa as barreiras do exercício e do corpo, criando energia que emerge do grupo como um coração pulsante.
- fisicamente o trabalho é muito intenso. Sinto meu corpo rasgar-se por dentro, fazendo mover engrenagens internas.
- os movimentos do grupo são como linhas que atravessam o corpo e o espaço, entrando e saindo por todos os lados, sustentando uma energia muito potente deste encontro.
- a força do grupo é tão potente que sem ela é como ser atravessada pelo vazio, uma ausência de movimento, sobra de espaço interno.
- o vazio, por outro lado, em determinados momentos, ganha espaço interno, espremendo movimentos escondidos, fazendo-os sair. O espaço se inverte de dentro para fora.
- o que move o sentido?
- nunca vai parar, soco de dentro para fora.
- ato de colocar-se inteiramente no presente, na proposta a ser trabalhada, jato de sensibilidade, habilidades, confusão de sistemas, impulsos que redefinem a pessoa.
- ação conjunta: memória, impulso, conhecimento e ato.
- Impulso e ação são coexistentes: o corpo desaparece, queima, e o espectador vê uma série de impulsos visíveis.

- definição revisitada de Montagem: a técnica de combinação de elementos em uma única composição pictórica proveniente de várias fontes, como partes de fotografias diferentes [imagens] ou fragmentos de impressão [impressões corporais]. Elementos que juntos estão interligados originalmente, mas o processo permite a cada elemento reter [respeito] sua identidade separada, como um espaço de individualidade e multiplicidade dentro da composição.
- Acredito no olhar. A contemplação é igualmente repleta de excessos uma vez que insistimos em ver alguma coisa. O mundo dos excessos exige um prolongamento do olhar para além daquilo que é aparentemente necessário, ou representa equilíbrio e estabilidade. Entre paradoxos de normalidade e aberração, o ponto de partida estará sempre nós, somos parte tanto em um, quanto no outro. O êxtase está presente em ambos. Sentir-se intensamente bem é perigoso, uma vez, que o que se sente em seguida, ou qualquer próximo passo arrisca a possibilidade de continuidade. È perigoso porque são assustadoras a perda e a brevidade.


Bianca Beneduzi

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