sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

texto de Débora Mille


O mago revela-se para iniciar seu número.  Aqui e ali pontos de luz e som explodem, como pequenos fogos de artificio.
Ele rege cada um destes pequenos surtos de irrealidade.
Alucinações.
Delírios oníricos.
Pane.
Como você foi parar aí na minha cabeça?
Para além de formas palatáveis, digeríveis. Camadas de sentido se sobrepõem. Entre elas: o horror.
A visão científica contrastando com a visão humana. O corpo dissecado, as vísceras expostas. Demasiadamente humano. Demasiadamente bicho.
O animalesco em si, manifesta-se em sutilezas entre as energias distintas. Metamorfose. Horrendas maravilhas a dançar, a cortar o espaço. Animais acossados em seu próprio habitat, presos nos limites de sua própria carne. À espreita para o momento do ataque. De trespassar estas barreiras.
O eu transpondo as barreiras do físico e indo além desvelando o invisível. O que não está ali, mas também está. Quase se pode tocar o intangível.

Débora Mille

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