O mago revela-se para
iniciar seu número. Aqui e ali pontos de
luz e som explodem, como pequenos fogos de artificio.
Ele rege cada um destes pequenos surtos de irrealidade.
Alucinações.
Delírios oníricos.
Pane.
Como
você foi parar aí na minha cabeça?
Para além de formas
palatáveis, digeríveis. Camadas de sentido se sobrepõem. Entre elas: o horror.
A visão científica
contrastando com a visão humana. O corpo dissecado, as vísceras expostas.
Demasiadamente humano. Demasiadamente bicho.
O animalesco em si, manifesta-se
em sutilezas entre as energias distintas. Metamorfose. Horrendas maravilhas a
dançar, a cortar o espaço. Animais acossados em seu próprio habitat, presos nos
limites de sua própria carne. À espreita para o momento do ataque. De
trespassar estas barreiras.
O eu transpondo as barreiras do físico e indo além desvelando o invisível.
O que não está ali, mas também está. Quase se pode tocar o intangível.
Débora Mille
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